sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Europa

Atrasos no consulado. Voo remarcado. Atrasos na chegada. Aeroporto. Um pequeno filho da puta, de uns 10 anos, me chamando de filho da puta no check-in. Salvador-Lisboa. Oito horas em Lisboa. Renite. Dormir no chão gelado. Madrid. 
Aqui estou, depois de 13 dias na capital espanhola, voltando ao meu velho novo blog. Pra quem não sabe, acabei em terras europeias por conta de um intercâmbio estudantil. Mas antes de falar sobre a minha nova vida, começo com a lembrança de um dos sacrifícios que fiz e com um dos sentimentos que levamos quando saímos de nossa terra natal: a saudade.

A. Palma

Apelidou-a de boneca, por seus traços finos e seu rosto de menina. Divirto-me com suas intenções em relação ao seu amor inventado. Acho que o criou para se distrair nos momentos de tédio. O incrível é que ele consegue parecer realmente interessado em fazer algo. "Se eu chegar amanhã com um anel e pedi-la em casamento ela vai aceitar?" Essas e outras são suas melhores intenções com seu amor platônico, se é que chega a ser platônico.
É um cara legal, com cara de nerd, é verdade. Mas os nerds militares também têm seu valor, não é verdade? Estou brincando, é claro, mas seus óculos Wilson, da mesma marca que os meus, o colocam no estereótipo de nerd, e, além de tudo: inteligente. Neste aspecto, os óculos não mentem, ele é muito inteligente, não é à toa que vai embora agora. Uma das notícias que me deixaram sem reação este ano. A sua partida. Foram pouco mais de três meses de convivência, mas guardo um carinho enorme. Vou sentir falta. Uma falta enorme.
Foi Santana que me ensinou a tomar café preto. Eu continuo não gostando de café preto, mas adoro o expresso da maquininha. E virou um hábito, todas as tardes, a hora do café. Entre as 17h e as 17h30, a conversa surge no spark: "bora tomar café?" ou simplesmente: "café?". Triste é quando estamos ocupados e o café vai sendo adiado e algumas vezes não acontece. Mas foi com Egi que aprendi a dinâmica da maquininha. Todo o seu funcionamento e o significado de cada desenho dela. Onde por os grãos, quando falta água e quando eliminar as bolotas de pó.
Ele me ensinou, também, (e ainda tenta, na verdade) a usar as vírgulas. Eu coloco sempre no lugar errado e isso é péssimo. Ele lê meus textos na maior boa vontade, mesmo que ainda tenha muitas coisas a fazer.
Além de um ótimo futuro jornalista, é um bom amigo. Conselheiro, ainda que para poucos (tenho sorte). Me ouviu nos piores momentos e ainda me mostrou uma luz. Obrigada, meu caro. Muito obrigada. Acho que nada que eu faça será capaz de retribuir da mesma maneira.
Vou sentir saudade, viu? Muita. Das músicas, então, seu ipod que tem de tudo um pouco e é uma fonte de inspiração em qualquer deadline.
O que eu desejo a ele (você) é que corra tudo bem e que aproveite muito essa grande oportunidade que vai mudar seu rumo, com certeza. E não esqueça de voltar, hein? Estarei esperando (eu e maquininha) para um café. Os bubaloos também te esperam, volte! ;*
-
Por enquanto é isso. Aos amores que deixei, o meu eterno carinho. Como diz um velho e sumido amigo: o mundo é uma bola. Aos amores que aparecerão, sejam bem vindos (as). Quero mais de mim aqui. Terá mais de mim aqui.

Volto em breve com um pouco sobre esta nova vida neste mundo completamente novo.

Gracias y hasta luego.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sem Soneto de Alegria


Era uma vez uma seleção
Que só pensava em muita fama
Zimbabue e Tanzânia
Rendeu uma puta grana

A CBF lhe mostrou
Que no Brasil só tem palhaço
O presidente criou raiz
Em um mandato irrevogável

O seu técnico nunca foi
Nem um belo jogador
Quadrado, ortodoxo
Reclamão, um beócio

E o melhor meio de campo
Ronaldinho, um gênio
Não foi para a tal da Copa
Por chapelar o azarento

Agora eles voltam à realidade
E esperam os mensalões
Porque na Copa do Brasil
Por favor,
Por favor,
Guardem o meu pedaço.

domingo, 20 de junho de 2010

Dois pra lá, dois pra cá, dois pra lá, dois pra cá... pra lá, pra cá.... "Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim..." pra lá...

domingo, 21 de março de 2010

Sábado de Sol

No barulho costumeiro da cidade, às conversas do ônibus de cada dia, voltava para casa depois de mais uma manhã de aula. De repente, um daqueles grupos de baianos voltando da praia do final de semana, começa o show.

"Comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor..."
"Bebeu água? Não. Tá com sede..."
"Eu preciso de você, você precisa de mim..."
"Relaxe na bica, relaxe na bica..."
"Assim ela já vai, achar um cara que lhe queira..."
"Preciso de um back pra ficar na moral..."
"Cause all I ever have: Redemption songs..."
"Campeão, vencedor, Deus dá asas..."

Em meio a uma miscelânia de ritmos, gostos e sons, todos acompanhados de um timbau (instrumento de percussão) que, por vezes não se mostrava bem afinado, aquele ônibus foi, aos poucos, levado pela alegria daquele grupo de pessoas. A princípio os passageiros resmungavam, olhavam com cara feia, como se recriminassem aquela batucada no transporte coletivo. Mas, aos poucos, depois de brincadeiras sempre muito bem humoradas como "ele vai dá uma catchupada na barata dela", onde o cobrador e o motorista foram forçados a responder, correndo o risco de serem acusados de não ter intimidade com as baratas delas, aquele transporte e todas as pessoas dentro dele passavam a sorrir e, quase que involuntariamente, a entrar na brincadeira do pessoal do fundão.

Enquanto uma gringa se sacudia do meu lado, me olhando como quem perguntasse "ei, você não vai sacudir, também?" eu pensava naquilo tudo e, durante aquele momento, senti inveja do pop-reggae-axé-internacional-gospel-pagode-samba-rock daqueles baianos, cantando, rindo, brincando despreocupados. Vivendo.

Um abraço e até a próxima.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010



"Dizem que ela existe para proteger."

De acordo com a ONU, anualmente cerca de 48 mil pessoas - mais do que no Iraque e nos conflitos entre Israel e Palestina - são mortas no Brasil e a grande maioria das vítimas morrem pelas armas daqueles que deveriam nos servir, os policiais. Por essas e outras, amargamos o pódio de quinto país em números de homicídios no mundo, sem falar da medalha de bronze no número de roubos.

Sabemos da responsabilidade do Estado - e da nossa - em todos esses problemas, mas o que deveria deixar cada cidadão deste país indignado é ver nas ruas uma polícia que guarda patrimônios privados, que defende políticos corruptos, uma polícia que se corrompe e culpa o país pelos seus podres. O que nos deveria deixar inconformados é ter uma polícia que mata, e que mata muito mais do que os bandidos, uma polícia que carrega consigo heranças brutais de uma ditadura maldita, uma polícia que nos coloca medo e que nos cala. É revoltante pensar que isso está tão incorporado na nossa sociedade que, com tantos escândalos, palavras como “inquérito administrativo” já fazem parte da nossa rotina.

A experiência aqui é, também, pessoal. Durante 10 anos estudei em escola militar e desde cedo a hierarquia e toda aquela sensação de força dos “grandes” perante os “pequenos” me chamava a atenção. E quando um ser humano, de alguma forma, se sente superior ao outro, alguém acaba ferido. Claro que somos nós, é a lei da selva.

Policiais, por natureza, tendem a acreditar que uma arma de fogo lhes conferem poderes dignos de heróis. E, muitas vezes, a linha entre civilidade e animalidade é muito tênue para esta classe. Ta, tem os bons profissionais, bons seres humanos, etc., mas pela quantidade de policiais envolvidos nos maiores crimes desta nação, os bons correm riscos de virar exceções.

Uns dizem que é falta de preparo e de melhores salários, e talvez também seja, mas devemos separar o que são erros deontológicos, “justificados” pela falta do Estado, com os erros de caráter - erros éticos, considerando a plenitude do termo - de ordem psicológica, mesmo, causados por essa sensação de superioridade, de estar acima dos céus e da terra, de uma parcela dos indivíduos que vestem uma farda policial. Além do que, no vídeo aqui publicado, os animais agressores dos estudantes que protestavam pacificamente – exercendo um direito previsto na constituição deste país – são funcionários com altas patentes da polícia militar de Brasília, e em Brasília um soldado - o cargo mais baixo - recebe cerca de 4 mil reais por mês. Para agredir estudantes e defender político corrupto.

Na Bahia, a Câmera de Deputados aprovou neste ano uma emenda constitucional para trazer para o Estado o mesmo piso salarial de 4 mil reais para as polícias. Nada mais justo que uma classe como a polícia tenha um salário a partir dos 4 mil reais, porém, com esta mesma proposta, deveríamos, nós, cidadãos, ter a certeza do melhor armamento da polícia, assim como, principalmente, o melhor preparo da classe policial. Mas não, a PEC nada fala sobre o assunto, como se pagar 4 mil reais a um soldado despreparado fosse colaborar para alguma melhora em nossa sociedade. Sem falar que, enquanto os policiais lutam por salários, os professores, responsáveis pela iniciação intelectual da criança no mundo, a mesma criança que mais tarde entra para o tráfico por falta de estudo e portunidade, tem um piso salarial de R$ 950,00 reais. E aí, onde entra a justiça?

Ainda sobre Bahia, está sendo criada uma falsa adoração à polícia com os seus programas televisivos do meio dia, justificando-se várias atrocidades cometidas por policiais no Estado. Uma puxação de saco em troca de “bons” furos de reportagem. A situação anda tão complicada que a polícia baiana, por vezes, filma para estes programas que fazem dos problemas estruturais de toda uma sociedade, sejam as drogas ou a violência, falta de emprego, etc., o seu ganha pão anti ético de todos os dias.

Outro dia, pela TV, tive o desprazer de assistir a um policial recriminando a população que desconfiava de um assassinato que, spostamente teria sido efetuado por armas de policiais. O policial em questão dizia às pessoas que, se fosse uma morte causada por “marginais” a população estaria quieta, com medo. Mas “só” porque teria um policial envolvido, eles queriam recriminar o PM. É, o policial pode, mas o “vagabundo”, “marginal”, deve ser preso, pelos mesmos policiais. Isto não faria sentido nem se fosse contado como uma piada.

Enfim, deixo aqui esta reflexão de mais um cidadão brasileiro que sonha em, um dia, ter uma polícia preparada, bem equipada, com salários condizentes com a realidade do país e consciente de que policial é nada - nada - além do que um servidor, um funcionário público. E que todo o orgulho que um policial possa ter seja pelo correto cumprimento de suas funções do servir.

Concordem, discordem, pensem, reflitam. A democracia agradece.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Quereria

Quem eu quero eu não vou
quem me quer eu nunca quero
quem eu quero não se sabe
quem me quer é um desespero

Quem eu quis já se foi
quem me quis eu mal tentei
quem queria eu nunca soube
quisera eu querer outra vez

Há muito alguém bem me quis
Há muito eu as bem quis também
Ou bem me quer
Ou não me querem
Ou bem eu quero
Ou não sei se querem

Quereria poder escolher
Quereria poder encontrar
Quereria poder torcer
Quereria poder querer

Mas o querer não ajuda
E é sempre assim
Ou bem eu quero
Ou bem sou querido

Talvez destino
Suplício
Martírio
Esse tal querer
Abismo.

Egi Santana - 2009

domingo, 10 de janeiro de 2010

Novidades

Dentre os meus projetos para 2010, renovar o blog era um deles. E está aí, uma nova cara, na verdade um pedaço da minha própria cara, um ar mais sério (talvez menos brega) e planos, muitos planos para este espaço daqui em diante.

Não posso prometer uma regularidade, muitas vezes não tenho tempo para escrever com a constância que talvez fosse a ideal para atrair leitores, mas talvez atrair grandes números de leitores ainda não seja minha maior prioridade. Sei que pessoas leem as coisas por aqui e isso é o estímulo que preciso.
Pensando em tudo isso, este ano pretendo abrir um pouco a oferta e a quantidade dos escritos aqui do blog. Não se assustem se, volta e meia, me lerem devaneando com os sentimentos humanos (os meus, também), ao mesmo tempo em que demonstro minha indignação com os problemas deste país, ou deste mundo.

Ainda nessa linha dos planos para o ano novo, criar um flickr também estava na lista. Quem tem algum tipo de contato comigo sabe da minha paixão pela fotografia e como isso vem fazendo cada vez mais parte da minha vida. Por enquanto algumas fotos já podem ser vistas por lá, mas pretendo fazer do flickr um novo refúgio, mais uma casa.
Sintam-se convidados a participar dessas novidades.

Um forte abraço e até breve.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ho - Ho.. segurem mais esse clichê. Ou um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Fiquei pensando em como vir escrever aqui, nessa época dos mais variados clichês, sem cair neles. Já que é impossível, então lá vai.
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Vir desejar a todos vocês, que me visitam e estimulam a volta e meia dedicar um tempo para escrever algo neste espaço, um bom natal. Independente das circunstâncias ou das crenças, seja com a família, com os amigos ou com uma boa garrafa de vinho, mas que seja com energias positivas. Porque se tem um clichê que eu mais acredito é aquele que diz que essa tal de vida é curta demais e não dá para esperar..., etc, etc, etc.
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É isso, desejo a vocês, também, um 2010 com muita força de vontade para superar e crescer com as dificuldades e muita paz para aproveitar os bons momentos da jornada. Que tenhamos um ano novo onde possamos colocar em prática todos os clichês dessa época.
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Um forte abraço e os meus sinceros votos de felicidade. Ou a busca dela, não é? É, isso é mais um clichê. Hehe.
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Nos vemos no ano que vem.

Créditos da foto: Egi Santana. #marketingdenatal

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quando um raio cai duas vezes no mesmo lugar.

Em uma bela e ensolarada manhã de quinta-feira...

- Opa, irmão, você pode me dizer aonde fica a Paralela?
Pensei: Paralela? Mas nós estamos na Paralela. Fodeu.
- Isso aqui é um assalto, meu amigo está armado e eu quero o seu celular!
Pensei: é, de fato, fodeu.
Retirei meu celular, aquele, que foi pago em prestações, que eu usava dentro de uma capa e nunca atendia ligações na rua, e dei ao meu algoz.
-Velho, me dê o chip aí, na moral.
-Que porra de chip, rapaz, eu quero o seu relógio, também!
-Meu celular é pré-pago, eu não tenho crédito, aí estão meus contatos do trabalho. Na moral, me dá o meu chip?
-Vai, vey, dá o chip do cara.
-Olhe, só vou dar o chip porque é pra você, viu, brother?!

Pensei: Brother? Irmão? De quem? Este descarado acaba de levar meu celular, aperta minha mão, sim, ele apertou a minha mão, e ainda me chama de irmão?
-Beleza, velho, obrigado por me devolver o meu chip.
-Vá, vey, siga seu rumo rápido e não olhe para trás ou eu lhe meto a zorra!
-Antes, volte! Me dê o seu relógio.
-Porra, “irmão” (ele teve de virar irmão) o relógio é do camelô e não é meu, não leve ele, não, por favor.

Acho que a impolgação dos dois foi tão grande com o meu celular bonitinho que me mandaram ir embora e consegui salvar o relógio.
Fui para o meu ponto de ônibus, com uma sensação única e indescritível de impotência, vulnerabilidade, de tristeza. Fora o tremor nas pernas e o coração acelerado.

Bem, isso aqui foi uma continuação indesejada do post anterior. Se no primeiro tentaram me assaltar, desta vez, no mesmo lugar, poucos dias depois, eles me pegaram.
Relutei muito antes de escrever este novo texto, sobre o mesmo assunto, os mesmos clichês, etc. Mas acabei postando por acreditar que não devemos deixar de refletir sobre este assunto. Por acreditar que não podemos naturalizar essas práticas, jamais. E também porque foi a única coisa que eu pude fazer, enquanto os tais dos “reféns da sociedade” que me roubaram já devem ter cheirado e fumado todo o meu celular. E enquanto aqueles que escolhi para comandar esta máquina chamada de Estado estão viajando pelo mundo, ou enclausurados em suas residências sofisticadas, com os seus seguranças, carros blindados, etc., etc., etc.


Obs. Marquei no Wikicrimes o local do ocorrido. Você pode conhecer este projeto de mapeamento colaborativo de crimes e visualizar o local que fui assaltado neste link.

Um forte abraço.
Espero não voltar com relatos como estes novamente por aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

“Tá com medo, desgraça?!”

Não é de hoje que o medo por conta da insegurança rondas as nossas cidades. A coisa já está tão incorporada na sociedade que esse Bla-Bla-Bla é mais clichê do que Brasil ganhar da Argentina.

Pois bem, a história que será aqui retratada aconteceu ontem com o blogueiro que vos fala.

Eu estava em um ônibus da capital baiana voltando para casa quando um cidadão que preconceituosamente julguei como suspeito (modo de se vestir, olhares, etc.) entrou e sentou no banco detrás do que eu estava.

Aqui um parênteses precisa ser aberto. Nos últimos três dias Salvador vem sofrendo uma onda de ataques de bandidos (ônibus incendiados, postos policiais metralhados, mortos e feridos) em represália à transferência de um dos chefões do tráfico para uma prissão federal no Mato Grosso do Sul.

Então, voltando ao relato, depois de descer do ônibus, olhei para trás para atravessar a pista e quem estava atrás de mim? Sim, o homem do qual suspeitei. Não tive dúvida, ele estava me seguindo.

Depois de percebê-lo, tentei manter a calma (tentei) e me afastei às pressas do sujeito (meliante?). Consegui atravessar a pista e um carro que passara impediu o meu perseguidor de vir atrás de mim. A única coisa que deu tempo foi ouvir os seus gritos: - “Tá com medo, desgraça?!”

Respirei fundo...

- Se eu estou com medo? Mas é claro que eu estou com medo, estou apavorado! Eu vivo em uma cidade que somente de janeiro a julho deste ano teve mais de 1.300 assaltos a ônibus, um mundo onde tenho de andar o tempo todo em alerta constante, olhando para os lados e rezando para não encontrar a tal da “bala perdida” em um país que mata mais de 100 pessoas por arma de fogo diariamente, seja ela de uma das polícias que mais matam no mundo ou da grande quantidade de vagabundos. Como você, meu caro, que quer levar o pouco dinheiro que tenho, ou o meu celular comprado em prestações, minha mochila, minhas coisas, compradas com o meu dinheiro, do meu trabalho. Sem falar da minha vida, que eu não sei se você pretende roubar, também. E o senhor, caríssimo ladrão/ assaltante/ vagabundo/ menos favorecido/ excluído socialmente, ainda me pergunta se eu estou com medo? Não, eu não estou com medo, o medo já faz parte de mim. E de milhões de brasileiros que precisam se arriscar por estas selvas todos os dias.

Esta seria a resposta que o safado que me perseguiu iria ouvir se eu não tivesse os meus porquês de ter medo.

Um forte abraço e até a próxima.

sábado, 29 de agosto de 2009

Calçolão ou calçolinha?

Esta semana, em Salvador, caiu na mídia a notícia de que uma professora de 28 anos foi demitida há dois meses porque apareceu em um vídeo do You Tube dançando uma música de pagode onde o cantor enfia a mão em sua calcinha e a puxa aos gritos de um refrão que diz “todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado”, fazendo alusão às calcinhas fio dental.

Além da repercussão na sociedade baiana, a notícia anda correndo o país. Claro, foi na Bahia, foi merda, foi sobre pagode, é notícia no mundo inteiro. Infelizmente, neste caso, não é somente isso que conta, o ato da professora atende aos chamados critérios de noticiabilidade e merece ser tratado como tal.

Mas a conversa aqui é outra. Depois de ver o tal do vídeo, ouvi uma entrevista do cantor que disse que a banda dele toca “aquilo que o povo quer ouvir”, e que nos shows as mulheres vão preparadas para a coreografia, ou seja, com suas calcinhas devidamente enfiadas na bunda e pedem pela música durante todo o “baile”. Engraçado pensar em o que o povo quer ouvir, será que o chamado povo quer ouvir o todo enfiado ou, como eu gosto de dizer, o buraco é mais embaixo?

Em um país como o nosso, onde a sexualidade disfarçada com o nome de mercado cria até manuais de putas para turistas, as mulheres se "permitem" a ponto de se deixarem ser filmadas submissas a um homem enfiando a mão em suas bundas, aos berros de “todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado”. Não seria esta cultura da sensualidade exacerbada, das apologias ao sexo e a toda putaria que nos é oferecida uma desculpa para produzir algo com os ideais mercadológicos (dinheiro, lucro e o povo que se foda) de que “é isso que o povo quer”?

É bem verdade que não sou um puritano e acho que cada um tem o direito de balançar a bunda onde bem entender, mas será que são por esses tipos de atitudes que nós, brasileiros, baianos, queremos ser lembrados? Será?

Para mim, atitudes como essa não agride somente à pró dançarina (que, inclusive, declarou que aceitaria pousar nua em revistas masculina), mas a todas as mulheres que lutam diariamente por espaço, igualdade e um lugar de respeito dentro da sociedade. Porque enquanto existirem mulheres dançando o “todo enfiado” por aí, muitos homens continuarão as vendo como objetos, apenas para fazer um “tchuco gostoso”, um “coqueirinho”, colocar a “perereca pra frente e pra trás”, e muitos outros dizeres sexuais da poesia pagodiana. Será que é para isso que lutamos por uma liberdade e igualdade de direitos?

Sem entrar no mérito do certo e do errado, a verdade é que nós vivemos em uma sociedade com valores morais baseados, dentre outras coisas, em exemplos.

E sobre o tamanho de calcinha, me agradam as Ps, as Ms e as Gs, enfiadas ou não, desde que as letras, melodias e coreografias não virem hit no espaço público.

Forte abraço e até a próxima.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fui alí fazer uma manutenção.
Preciso voltar com mais coragem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ao Michael


Este post vai para aquele que trouxe momentos de alegria à minha infância, e vida. Independente das várias polêmicas ao redor do seu nome, fica minha pequena homenagem ao artista Michael Jackson. E que o seu legado musical continue a trazer alegria para as pessoas.

Be in peace, guy.

M.J. 1958/2009


Não deixem de conferir a homenagem que Maurício de Sousa acaba de publicar noTwitter. Anexo abaixo os links, vale a pena clicar.

http://twitpic.com/8ix6e

http://twitpic.com/8ixew

http://twitpic.com/8ixi8

http://twitpic.com/8ixlc

http://twitpic.com/8ixnz

http://twitpic.com/8ixpo

http://twitpic.com/8ixr8

http://twitpic.com/8ixsy

http://twitpic.com/8ixvb

http://twitpic.com/8iy12

Abraços e até a próxima.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Troféu Joinha, Salvador!

Depois de reeleito pelo instituto DataFolha como o pior prefeito do país, João Henrique Carneiro, gestor de Salvador, acaba de aprontar mais uma de suas peripécias.

Nos últimos dias Salvador vive um caos por conta das chuvas. Chove, as encostas caem, 7 pessoas já morreram e mais 25 são vítimas dos transtornos causados pelas águas. Com isso, o trânsito para nas principais avenidas e os ladrões aproveitam-se para roubar o pão de cada dia. Sem falar na manhã da última quinta-feira, quando 10 empresas de ônibus decidiram entrar em greve e muitos dos soteropolitanos, inclusive o indignado que vos escreve, passaram horas nos pontos de ônibus, sem segurança, e na chuva.

Muito se ouviu falar na mídia baiana sobre os problemas enfrentados pela cidade por conta do aguaceiro que vem caindo, porém, quase nada é falado sobre os políticos. Pelo menos até onde me ensinaram, eles são os responsáveis por gerir a cidade, o estado, etc. E nada, absolutamente nada relevante é feito ou prometido, como se estivéssemos jogados ao relento. E aos ladrões.

O que mais incomoda é o fato de que, há sete anos Salvador entra em estado de emergência por conta das chuvas, nos fazendo deixar a pergunta que não quer calar: Se os governantes já sabem que nessa época chove e a cidade precisa estar preparada, por que não tomaram as precauções cabíveis? Quem souber responder, por favor, nos mande um autógrafo.

Com relação a isso, a única coisa que se viu na TV nos últimos dias, além do prefeito culpando os cidadãos (que não tem para onde ir e montam seus barracos nas encostas) pelos percalços, foi o senhor ministro Geddel Vieira Lima, que pretende ser governador do Estado, tagarelando de que não irá medir esforços para ajudar o povo baiano. Talvez ele mande uma verba (nossa, claro) para o enterro das vítimas, vamos esperar.

Enquanto isso, como já diria vovó e sua sabedoria dos mais de 70 anos de vida: cada um que se vire com os seus problemas.

Clique aqui para conferir imagens dos efeitos da chuva em Salvador.

Forte abraço e até a próxima.

Ilustração retirada do Google

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

The Obama-Man


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Assistimos nesse último dia 20 de janeiro à cerimônia de posse de Barack Hussein Obama como novo presidente dos Estados Unidos. Uma grande festa que repercutiu em todo o planeta, como se uma nova onda de esperança na luta contra os males que nos assolam estivesse a se estabelecer.

Apesar da minha cautela em acreditar no futuro do Obama como o “Super Homem” que irá salvar o mundo de todas as “criptonitas”, um fato me chamou muito a atenção nessa grande festa: a quantidade de pessoas presentes. Cerca de dois milhões de americanos assistiram atentamente ao discurso do novo presidente. Fato este que me fez trazer comparações da realidade deles com a nossa.

Aqui, a posse dos políticos é composta por algumas cerimônias, semelhantes com as do vizinho rico, porém, sem muita atenção da sociedade. Tivemos, por exemplo, na festa do primeiro mandato de Lula cerca de 200 mil pessoas, fato este que já fora considerado um número alto pelas mídias da época.

Infelizmente (e com algumas devidas honras ao mérito), no Brasil a política é vista como a representação dos maiores ladrões da nação. Retratos de uma população cada vez mais desacreditada e com pouco, ou nenhum, interesse nos assuntos ligados ao modo como nos governam.
Independente de meu moralismo barato, talvez os Estados Unidos e a posse de Obama tenham nos deixado lições. Estejamos atentos.
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Um forte abraço e até a próxima
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Créditos da ilustração: Alex Ross - http://www.alexrossart.com/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Morte.

Solução.

Matem em Gaza
Matem no Japão
Matem na Alemanha
Matem no Vietnã
Matem na Coréia

Matem na Rússia
Matem no Iraque
Matem na Palestina
E na União Soviética

Matem os cristãos
Matem os judeus
Matem os hereges
Matem os ateus

Matem os traficantes
Matem os terroristas
Matem os vagabundos
E os inocentes

Matem meu país
Matem minha cidade
Matem meu bairro
Matem nossas vidas

Matem os que chamam inimigos
E quando todos mortos estiverem
Usem esse mesmo poder
Para uns aos outros matarem
Vamos, matem-se!


Em vinte dias de conflito, mais de mil pessoas foram assassinadas e mais de 4 mil foram feridas nos ataques à Faixa de Gaza. Como causas apontadas estão um pedaço de terra a ser conquistado, os recursos hídricos da região, as tensões políticas, entre outros milhares de motivos. Mas não, é apenas mais uma guerra, como todas as outras, irracional.

Créditos do Clipe: A canção do senhor da guerra-Legião Urbana/Postado por Speed456-You tube.

Um forte abraço e até a próxima.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Até Dois Mil e Nove.

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-Ano que vem, eu estudo mais.
-Ano que vem, eu faço aquele curso.
-Ano que vem, eu consigo aquele emprego.
-Ano que vem, eu conquisto aquela pessoa.
-Ano que vem, eu compro aquela coisa.
-Cumpro aquela promessa.
-Ano que vem, eu...
-Ano que vem.
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Panetone, ceia, presente, Papai Noel da Coca Cola, família. Fim de ano, roupa branca, fogos de artifício, abraços, champanhes, amigos.
Durante muito tempo, acreditei que todas essas coisas não valiam a pena. Todas ligadas ao consumo, ao comércio, ao capitalismo e às teorias da conspiração. Talvez, em partes, elas sejam, mas, quem sabe se os planos, os sonhos e todas as promessas que fazemos nessa época, não sejam, realmente, importantes?

Mesmo com toda a incerteza do futuro e com o mundo do jeito que está caminhando, quem sabe se o simples ato de pensar nessas coisas todo fim de ano não tenha algum efeito positivo? Ainda não sei se quero saber as respostas.
Por ora, mesmo por meios de planos - que talvez nem sejam concretizados -, de promessas e sonhos, eu prefiro acreditar que a vida não deve ser tão dura.

Um Feliz Natal, e um 2009 de boas oportunidades!

Forte abraço e até a próxima.




sábado, 15 de novembro de 2008

Eu voltei, e Obama chegou.



Bem, pessoal, estou de volta. Depois de vários meses recluso aos meus devaneios, decidi retornar à vida de blogueiro. Então, vamos ao que eu acho que interessa.

Em tempos de recessão econômica, crise mundial, juros lá em cima, dólar mais ainda e os políticos, como sempre, chupando em nossas tetas, assistimos à eleição do senhor Barack Obama, nos EUA.
Fogos de artifício foram disparados, a mídia do mundo inteiro festejando e os intelectuais deste país celebrando a vitória de um negro à presidência da maior potência do mundo são mais do que motivos para que esse acontecimento, seja realmente, visto como um fato histórico. Mas, até que ponto?
Ta, tudo bem, ele é um negro na presidência. Para os ativistas de plantão esse já é um motivo de uma crença em um mundo melhor, menos racista e aquela história toda. Contudo, sinto-me na liberdade de apontar algumas questões.

A candidatura do senhor Barack Obama, antes de tudo, foi muito bem planejada pelos marqueteiros que os cercavam. Em momento algum o presidente eleito teve um discurso, diríamos, da negritude. Uma característica marcante da campanha do futuro presidente é que ele não se fazia notar um negro pleiteando a vaga à presidência dos EUA. Ou seja, Obama não levantou essa bandeira porque sabia que poderia escorregar no racismo do seu país, ou até mesmo no preconceito que esse tipo de discurso, muitas vezes, causa.

Claro, isso não tira a importância do fato de ter sido eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, mas, não vamos festejar como se fossemos todos ‘super fantástico amigos’. Se ele ganhou, foi porque estava mais preparado como candidato e para convencer sua população, e ponto. O mesmo para nós, brasileiros, caso seja confirmada a candidatura da senhora Dilma Rousef, não me venham as feministas de plantão festejar a primeira mulher na presidência como se somente isso seja o que importa. O buraco é sempre mais embaixo, deixemos de firulas.
Em segundo lugar, há de se convir que o presidente gringo ganhou status de celebridade. Lembro de ter assistido aos noticiários no dia da vitória e ter visto uma certa jornalista da Globo chorando de emoção com a "Obamamania". Uma cena muito ‘fofa’, diga-se de passagem. E em terras brasilis, alguém aí chorou quando Lula foi eleito? Só porque é brasileiro, nordestino e aqui não tem Hollywood? Sacanagem.

Só mais umas: depois da vitória do pop star em questão, alguém leu uma boa proposta de governo para a América do Sul e para o Brasil? Além disso, vocês estão acreditando que os EUA vão resolver alguma crise mundial? Está bem, a deles, provavelmente, será solucionada. E a de verdade? Ou alguém acredita que eles vão deixar de nos subverter?
Sinceramente, eu prefiro ir ali assistir meu Super Cine. Já vai começar.

Um abraço a todos e até a próxima.

segunda-feira, 3 de março de 2008

SUBÚRBIOS E subúrbios

De acordo com os dicionários, subúrbio pode ser definido como uma localidade próxima de uma cidade e que depende desta. Na etimologia da palavra, subúrbio - do inglês suburb - é classificado como uma “sub-cidade”. Não sendo atribuídas aí questões econômicas ou sociais.
Em países desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos e França, onde as áreas urbanas possuem divisões perceptíveis, essa terminologia pode ser considerada em sua totalidade. Contudo, no restante das nações, a palavra subúrbio geralmente é associada à periferia, visto que nesses países, definir áreas que se situam aos arredores de uma cidade é praticamente impossível.

Com relação às questões econômicas e sociais, outra distinção deve ser feita com relação aos países do primeiro mundo. Enquanto na Inglaterra, por exemplo, percebemos uma região urbanizada em que as assistências do poder público são efetivas, no Brasil, essa situação não é nada semelhante. Aqui o subúrbio, em sua grande maioria, é marcado pela ineficácia ou inexistência dos serviços públicos, o que consequentemente, acarreta problemas como a pobreza, violência, falta de saúde, saneamento, entre outros. As populações dessas áreas, com isso, acabam recebendo tacitamente o posto de “sobreviventes” dentro do nosso país.
Em Salvador, mais precisamente, a realidade do subúrbio não foge dessa conjuntura. Aqui, cerca de 600 mil pessoas vive na região compreendida como suburbana.
Abrangendo cerca de 22 bairros entre a Calçada e Paripe, o subúrbio ferroviário como é chamado, no início de sua história era formado por várias fazendas,que hoje levam os nomes de bairros como Coutos, Paripe, Periperi e Lobato. Nessa época – imprecisamente os anos de 1600 - os ricos detentores dessas terras se privilegiavam pelas suas moradas e pela beleza que, até os dias de hoje, permanece viva no subúrbio de Salvador.
Após a época das fazendas, o litoral suburbano se estendeu e muitas pessoas começaram a povoar a região em busca de um ambiente tranqüilo de veraneio. Nesse tempo, muitas famílias de classe alta passavam seus verões no litoral suburbano.
Após esse período, o subúrbio passou a ser habitado basicamente por famílias de pescadores, dividido em vários lugarejos. Isso se deu praticamente até os anos de 1970. A partir daí, e com o surgimento de indústrias na região, a população cresceu, formada particularmente por pessoas das classes mais baixas que viam distante do grande centro, uma oportunidade de moradias com um custo mais aquisitivo.



Esse fenômeno do crescimento populacional, conforme o decorrer dos anos, levou o subúrbio aos problemas já aqui citados como características desse tipo de região nos países sub-desenvolvidos , ou seja, a precariedade do poder público.
Uma segunda tentativa de reflexão se faz necessária além das questões conceituais: o que é possível fazer para além das teorias que falam sobre os necessitados desse país? Acredito estar à difícil resposta no particular de cada um. Reflitamos.
“Sub-cidades” de “subempregos”, com uma “sub-assistência” de “sub-políticos”, é assim, a meu ver, que se resume o nosso subúrbio ferroviário, e os subúrbios e periferias do nosso Brasil como um todo.

Egideilson Santana


Fotos tiradas por mim numa pesquisa de campo feita no subúrbio de Salvador. Depois de levantados os dados entre os moradores da região, uma informação me chocou: uma das crianças, moradora de um desses barracos aqui mostrados, sem estrutura alguma para se viver dignamente, muitas vezes até sem comida, tinha o costume de, quando na escola, fazer um único tipo de desenho. Ela desenhava uma casa. Confesso que me vi repensando alguns dos meus conceitos.

Um forte abraço e até a próxima.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Estereótipo - 2

...................Um domingo de Sol
Num domingo desses que a gente fica em casa com raiva do Faustão, fui até a janela ver se tinha algo de interessante para ver.
Chegando lá parei para dar uma olhada nas pessoas que estavam na área de lazer do prédio. Umas três crianças, um casal mais afastado (espertinhos) e uma mulher sozinha estavam por lá. Prenderei-me a falar da mulher sozinha deitada na borda da piscina.
Estatura mediana, entre os 25 e 30 anos, “morena cor de bronzeado” e um pouco acima do peso dos padrões de beleza atuais. Até aquele momento estava deitada tranquilamente, virando-se e desvirando-se pela toalha a fim de aproveitar uma bela tarde de sol.
O curioso foi o que aconteceu a partir do momento em que dois homens chegam e sentam numas cadeiras na borda da piscina. Nossa protagonista... Congela! Isso mesmo, ela fica imóvel! Encostou-se num canto da piscina e ficou lá por cerca de trinta minutos, contados no relógio!
O único motivo que posso entender para explicar essa mudança de comportamento da moça é a vergonha que devera ter sentido dos homens que chegaram. Ela ainda vinha a me dar mais um subsídio para confirmar minha tese: após os trinta minutos ela dá uma olhada para trás vendo se alguém a notava, sai da piscina, encobre-se e vai embora. Fiquei me perguntando: Só por ser gordinha?! Confesso que tive vontade de ir “conversar” com ela - que em minha opinião era muito bonita por sinal - sobre esses estereótipos.
Não pretendo escrever aqui alguma lição de moral ou falso moralismo de como a beleza interior poderia ou deveria ser mais importante do que a exterior, ou que devemos nos aceitar da maneira que somos e esse monte de frases de internet sobre o assunto que cansamos de ver, até porque não acredito por completo nessas idéias. Meu propósito é que fique relatado um exemplo de como, em nossa maioria, somos afetados - e o pior, sem nos darmos conta - por essa ditadura “bizarra” que nos impõe modelos de comportamento e nos ordena como devemos viver.

...............................................................................................................Egideilson Santana

Curiosidades sobre as imagens usadas nesse texto: “As meninas do Brasil” da artista plástica baiana Eliana Kertesz, esculturas expostas em Ondina, Salvador, são uma homenagem às três raças do Brasil - negra, branca e índia. Nomeadas como Damiana, Mariana e Catarina.
O interessante é que Damiana está olhando para o oceano, na direção da África, Mariana vislumbra Portugal, no hemisfério norte e Catarina contempla o continente americano, representando os principais povos os quais somos descendentes.

Por hoje é isso meu povo,
Forte Abraço e até a próxima.
..........................................Auto-estima gordinha! Ta toda fofinha!
.........................................Auto-estima magrinha! Ta toda fortinha!
.........................................Auto-estima coroa! Ta toda durinha!
.........................................Auto-estima negona! Ta toda gatinha!”
...............................................Trecho de Mulher Brasileira – Psirico.

.......................................................................=D

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Estereótipo

Pois bem, cá estou pela primeira vez em 2008, tarde eu sei, mas passar as férias sentado na frente de um PC não vale a pena, não é?!
Então, dentro dos planos para esse novo (já não tão novo assim) ano, tentarei preparar séries de textos sobre determinados temas que me interessam para pesquisar e me incomodam enquanto um ser vivente desse planeta.
Nessa primeira etapa, escreverei algumas coisas sobre os estereótipos vigentes em nosso meio.
Um ano novo de sucesso para todos nós!

Nos doe alguns minutos do seu tempo e boa leitura. =]

........................................,,,,Sobre a beleza

Beleza é uma interpretação individual a qual se caracteriza pelo que é agradável aos sentidos, relativizada de acordo com a sociedade, cultura e tempo em que se insere.
Durante a história, a beleza tem relação religiosa ou mística, sendo considerada por aquilo que se aproxima da Divindade. A utilização original da palavra servia para denominar exatidão, precisão, adquirindo assim o significado de simetria na Grécia Antiga.
A beleza humana em nossa sociedade é imposta pela mídia. Há poucas décadas, ser “gordinha” era o modelo a ser seguido pelas mulheres, já os homens tinham o “bigodão” e ser magro como moda. Hoje já temos o modelo magra, do bundão, pernão, loira e de olhos claros para as mulheres, a chamada "ditadura da Barbie", que vem gerando disfunções no comportamento das pessoas, e com isso, o aparecimento de doenças como a bulimia e a anorexia. No caso dos homens, a busca incessante pelos músculos avantajados e o corpo “perfeito” é o modelo da vez.
Numa academia essa semana, perguntei a um praticante:
- Por que você malha?
A resposta veio com empolgação e em bom e alto som:
- Porra gigante! O verão ta aí e as “menininhas” querem ver umas “pernocas” bonitas na praia!
A resposta gera uma reação em mais uns três ou quatro praticantes da academia:
- É isso ai grande! Ta bombando!
Sem falar que, como sabemos, em busca desses ideais inatingíveis, homens e mulheres se arriscam e se viciam no uso de drogas anabolizantes.
É claro que, uma mulher com um corpo bem definido vai ser sempre atraente e chamará atenção, porém, o problema está na delimitação de que apenas a mulher “gostosona” é bonita, ou que somente o homem forte será o “gostoso”.
Já é discutido um novo conceito de beleza na tentativa de quebrar os estereótipos de nossa geração, a beleza sustentável. O assunto foi discutido num congresso inédito em São Paulo no final do ano passado com a idéia de combater o desejo pela perfeição e refazer as conexões entre beleza, saúde, longevidade e bem-estar. A discussão girou em torno da idéia de que o belo é ser saudável fisicamente e psicologicamente, para que com isso nos sintamos bem com os outros, e principalmente, com o nosso próprio eu interior.
Seria bom se essa injeção sustentável fosse dada naqueles que nos passam todos os dias seus programas, propagandas e afins, mostrando aquilo que devemos ou não seguir.
Interessante também lembrar que nessa busca pela beleza, a indústria de cosméticos já fatura mais que a automobilística e a siderúrgica juntas. Mais que isso: somos recordistas em número de cirurgias plásticas, ultrapassando o meio milhão por ano e ficando atrás apenas dos Estados Unidos, dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Temos até um novo tipo de turismo atraindo estrangeiras do mundo inteiro em busca de cirurgias mais em conta.
Sem falar que, ao classificarmos o belo como tudo aquilo visível aos olhos nos tornamos superficiais e fúteis. Homens e mulheres cada vez mais esquecem de desenvolver características como a inteligência, o charme e a sensualidade como premissas para os relacionamentos. O que importa é a “pernoca” bonita, ou a “barriguinha” sarada, e nada mais.

Um forte abraço e até a próxima.

................................................................................................Egideilson Santana